Sobre a relação entre queda no preço do petróleo e o aumento de sua demanda

crise

São vários os jornalistas econômicos dizendo que a atual queda no preço do petróleo será rapidamente contrabalançada por um aumento em sua demanda, o que fará com que o preço retorne ao seu “valor normal”.

Vamos deixar algo bem claro.  Há uma diferença econômica — ou seja, uma distinção analítica — entre essas duas frases: (1) aumento da demanda; (2) aumento da quantidade demandada (isto é, disponível para ser comprada).

Ambas parecem iguais, mas são analiticamente diferentes.

Abaixo, um gráfico convencional de oferta (S) e demanda (D).  Tal gráfico está presente em praticamente todos os manuais de economia.

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O eixo X representa a quantidade (Q) de um bem.  O objetivo do gráfico é transmitir a seguinte ideia: há um preço de equilíbrio (P).  Todos os indivíduos que quiserem vender o bem em questão ao preço P irão conseguir vendê-lo.  E todos os indivíduos que quiserem comprar o bem em questão ao preço P irão conseguir comprá-lo.  Nenhum comprador e nenhum vendedor estão excluídos do mercado.  Trata-se de um gráfico estático, que não leva em consideração uma passagem de tempo.

Já o gráfico abaixo representa um conceito distinto: há um aumento da demanda durante um intervalo de tempo.  Esse aumento da demanda não foi causado por uma redução no preço.  Ao contrário: o aumento da demanda gerou um aumento de preço.  O aumento da demanda foi a causa do aumento de preço.  Portanto, a demanda é uma causa, e não um efeito.

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Trata-se de um gráfico dinâmico.  D1 se move para D2 durante um intervalo de tempo.

O preço do petróleo em 2015

O preço do petróleo despencou na segunda metade de 2014.  Por quê?  Aumento da oferta?  Queda da demanda?  Uma combinação de ambos?

Comecemos por uma redução da demanda.  Boa parte do mundo parece estar entrando em recessão.  Sendo assim, os mercados esperam que haja uma queda na demanda por petróleo.  Essa expectativa derrubou o preço do petróleo.  Essa é uma explicação bastante comum.

Mas também sabemos que houve um aumento da oferta de petróleo.  E não há como armazenar grandes volumes de petróleo, exceto no subsolo.  Tão logo alguém extrai petróleo, ele tem de vendê-lo.  E a OPEP ainda está vendendo petróleo, e não armazenando-o no subsolo.  Os produtores de óleo de xisto também ainda estão vendendo.  Houve, portanto, um aumento da oferta de petróleo na margem.  E os preços são determinados na margem (e não pelo estoque total existente no mundo).  O petróleo continua fluindo.  E como ele tem de ser vendido para uso imediato — e não tem como ser armazenado —, o preço caiu.

Esse gráfico #3 mostra bem essa situação. (A linha verde representa a oferta inicial de petróleo; a linha roxa representa a nova oferta de petróleo, maior; a linha vermelha representa a demanda).

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A curva da oferta se moveu para a direita, que é como economistas ilustram um aumento da oferta.  O preço, consequentemente, caiu.  O mercado se equilibrou em um novo valor de P e Q.  Observe que, nesse gráfico, a quantidade demandada aumentou.  Esse é um gráfico dinâmico, que leva em consideração um intervalo de tempo.  A oferta antiga se moveu para uma oferta nova (e maior).  Consequentemente, a quantidade demandada aumentou de Q1 para Q2 (maior).

Mas há um problema com essa explicação: o preço do petróleo caiu acentuadamente na segunda metade de 2014.  E a oferta não aumentou tão significativamente assim desde junho.  Logo, creio que uma queda na demanda foi a principal causa.

Eis um gráfico que representa melhor esse fenômeno: “oferta inelástica” (o que significa que a oferta não é sensível a alterações de preço) e demanda em queda.  Com essa combinação, o preço cai.

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A oferta é inelástica?  Bastante.  O líder do ministério do petróleo da Arábia Saudita afirmou que seu país continuará vendendo petróleo mesmo se o preço do barril cair a US$20.  Dado que todos os outros exportadores precisam de dinheiro, eles não podem se dar ao luxo de interromper sua produção e parar de vender.  E eles não têm o poder de afetar o preço por meio de uma redução na oferta.  A Arábia Saudita é o gorila de 2.000kg que dita as regras.  Se o país se recusar a reduzir a oferta, o preço irá cair.  Sendo assim, todos os outros são obrigados a continuar extraindo petróleo.  Eles precisam do dinheiro.  Isso define uma “oferta inelástica”.

Alguns economistas estão argumentando o seguinte: o preço do petróleo está baixo hoje, e, como consequência, haverá um aumento da demanda por petróleo.  Esse argumento é analiticamente incorreto.  Ele parte do princípio que o mercado irá sair do gráfico #1 (gráfico estático, que não leva em consideração uma passagem de tempo) e irá para o gráfico #2 (gráfico dinâmico).  Pode até haver algum aumento da demanda, pois a economia mundial pode melhorar nesse ínterim.  Mas qual a evidência de que isso irá acontecer?  Ainda não há nenhuma.

A queda no preço do petróleo em 2014, qualquer que seja seu motivo, é um fato.  Isso significa que, por causa do aumento da produção, haverá uma maior quantidade de petróleo sendo demandada (isto é, disponível para ser comprada) a esse novo preço, pois um aumento na produção gerou essa maior quantidade a ser demandada.  Por outro lado, uma redução na demanda por petróleo levou a uma queda no preço, e sem que essa queda gerasse um aumento na quantidade de petróleo comprada: oferta inelástica.

Sei que a linguagem é semelhante e gera confusão: a palavra “demanda” parece ser sinônima de “demandada”.  Porém, conceitualmente falando, as duas frases acima são diferentes.  Causa e efeito são distintos.

Se o preço do petróleo caiu por causa de um aumento da produção, então a quantidade de petróleo demandada (isto é, disponível para ser comprada) irá aumentar.  Todos aqueles que quiserem vender petróleo a esse preço conseguirão fazê-lo, e todos aqueles que quiserem comprar petróleo a esse preços conseguirão fazê-lo.

Mas isso não é o mesmo que dizer que haverá um aumento na demanda por petróleo em 2015.  Um aumento na demanda indicaria que algum novo elemento foi acrescentado às condições econômicas atuais.

Não vejo hoje nenhum motivo forte para acreditar que haverá um grande aumento na demanda por petróleo em 2015, significando um deslocamento para a direita em toda a curva da demanda.  Creio ser muito mais provável que a demanda por petróleo irá cair por causa das recessões no Japão e na Europa Ocidental, e também por causa de uma desaceleração econômica na China.

Qualquer argumento sobre um eventual aumento futuro no preço do petróleo tem de ser mais robusto do que simplesmente dizer que “o atual preço baixo do petróleo irá aumentar a demanda por petróleo”.  Isso pode acontecer apenas se o preço baixo do petróleo estimular a economia mundial o suficiente para contrabalançar a recessão.  Porém, até o momento, não há sinais disso.

Se você quer argumentar que haverá um aumento no preço do petróleo, você tem de argumentar que a demanda por petróleo irá aumentar por conta própria.  Em outras palavras, a curva demanda irá se deslocar para a direita.  É isso o que mostra o segundo gráfico.  Algo de fundamental irá ocorrer e irá alterar a demanda por petróleo, e essa alteração irá deslocar toda a curva da demanda para a direita.  Qualquer pessoa que argumentar nesses termos terá de explicar por que a demanda por petróleo irá aumentar.  Ela tem de explicar por que toda aquela curva irá se deslocar para a direita.  E, no gráfico, a alteração da demanda altera os preços.  Nesse caso, a demanda é uma causa, e não um efeito.

Analiticamente, um aumento na demanda não é a mesma coisa que um aumento na quantidade demandada (isto é, disponível para ser comprada).  Sei que a linguagem confunde muita gente.  Se você pretende especular com o preço do petróleo, é crucial que você não confunda esses dois conceitos.

Fonte:  IMB

Estudo determina novos rumos para setor de distribuição de produtos químicos e petroquímicos

Indústria Química

A necessidade de adotar processos inovadores e sustentáveis influenciou de forma definitiva todos os setores da economia. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) e pelo Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos no Estado de São Paulo (Sincoquim) apontou os desafios que o setor deverá enfrentar nos próximos anos, principalmente diante das perspectivas de exploração do pré-sal, e revelou a importância das distribuidoras na tarefa de analisar o mercado e implantar políticas efetivas para compartilhar o conhecimento adquirido de cada elo da cadeia produtiva, com foco em segurança e sustentabilidade. “A missão das empresas distribuidoras é, cada vez mais, atuar como transmissoras de conhecimento, estimulando políticas ambientalmente responsáveis”, afirma o presidente da Associquim, Rubens Medrano. “A pesquisa tem por objetivo nos mostrar onde podemos ser mais atuantes”, completa.

O estudo, intitulado A Distribuição de Produtos Químicos e Petroquímicos no Brasil e sua importância na visão da cadeia produtiva, contou com a participação de mais de 160 empresas – entre produtores e consumidores industriais – que evidenciaram a qualidade e a confiança em relação à atuação das distribuidoras para regular estoques e auxiliar a estabelecer preços dos produtos, classificando esse trabalho como de excelência. “Do ponto de vista de logística e armazenagem, mais de 60% das empresas afirmam que as distribuidoras têm desemprenho entre bom e ótimo”, comenta Medrano.

Segundo apurou a pesquisa, as distribuidoras também desenvolvem a importante função orientar os consumidores industriais quanto a melhor forma de manipulação dos produtos, desde a armazenagem até orientações especificas sobre os usos de cada composto químico.

Por outro lado, foi notado que é frágil a interação entre as partes, sendo que o know-how específico de cada atividade deixa de contribuir para o desenvolvimento da outra. Um gap que dificulta, inclusive, o surgimento de inovações no setor. “O conhecimento dominado pelos técnicos do setor de produção precisa ser melhor aproveitado e repassado ao distribuidor”, concorda Medrano. “Não só para que os produtos sejam utilizados de forma correta, o que já é uma preocupação nossa”, reforça, “mas porque o distribuidor pode, e deve, fazer uso dessas informações para vender o produto adequado a cada cliente e orientar sobre a melhor forma de uso”, explica.

O presidente da Associquim aponta que também é muito importante manter o processo inverso, levando as informações, dúvidas e sugestões dos distribuidores, que estão em contato direto com o consumidor industrial, para os produtores. “Os distribuidores têm condição de captar essas informações por todo o País e apresentar uma análise de mercado constantemente atualizada, agregando valor e conhecimento ao serviço prestado”, pondera. “Essas análises poderiam, inclusive, servir de referência para o P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) das empresas saber quais são as necessidades do mercado e desenvolver, a partir daí, produtos focados em suprir essas lacunas”, acrescenta. A implementação desses processos, somada ao auxilio técnico que as empresas distribuidoras prestam aos seus clientes, Medrano destaca, irá tornar a cadeia produtiva mais eficiente e responsável, tanto social quanto ambientalmente.

Fonte: CRQ 5ª Região

Como funciona o bafômetro?

bafometroHá mais de um tipo de bafômetro, mas todos são baseados em reações químicas envolvendo o álcool etílico presente na baforada e um reagente – por isso, o nome técnico desses aparelhos é etilômetro. Os dois mais comuns utilizam dicromato de potássio (que muda de cor na presença do álcool) e célula de combustível (que gera uma corrente elétrica). Este último é o mais usado entre os policiais no Brasil (veja como ele funciona em detalhes no quadro ao lado). E põe usado nisso.

Com a nova legislação, o motorista que for flagrado com nível alcoólico acima do permitido (0,1 mg/l de sangue) terá que pagar uma multa de R$ 955, além de ter o carro apreendido e perder a habilitação. Se estiver muito bêbado (níveis acima de 0,3 mg/l), ainda corre o risco de ficar em cana por 6 meses a 1 ano – a menos que tenha guardado uma boa grana para a fiança, que pode chegar a R$ 1 200.

E pode se preparar porque, se a lei pegar, qualquer cervejinha vai ser motivo para dor de cabeça. Esse aparelhinho portátil é mesmo capaz de medir toda e qualquer concentração de álcool no sangue do motorista. E é mais fácil convencer seu amigo a ficar na Coca-Cola que enganar a tecnologia. Se ainda tiver alguma dúvida, veja os nossos testes no boxe aí ao lado

Digo o que tu bebes

Do sopro ao resultado: tudo sobre o bafômetro

Sopre aqui…

É necessário 1 litro e meio de ar para fazer a medição, um sopro de cerca de 5 segundos. Bem fácil, a menos que você seja um fumante inveterado.

Você dá um gole e, em poucos segundos, o álcoolcomeça a ser absorvido pelo estômago, cai na corrente sanguínea e passa em forma de vapor para os pulmões. O processo inverso é bem mais longo. Veja quanto tempo, em média, uma dose leva para desaparecer do seu corpo:

Um copo de cerveja (350 ml) – 1 hora

Uma dose de pinga, tequila ou uísque (50 ml) – 1 h e 15 min

Uma dose de vinho (150 ml) – 1 h e 25 min

• A Polícia Rodoviária Federal possui 500 bafômetros, para 61 mil km de rodovias. Seria 1 bafômetro para cada 122 km.

• Na cidade de São Paulo, há 60 aparelhos sendo usados em blitzes.

• A nova lei coloca o Brasil entre os 14 países mais rigidos do mundo, de 82 pesquisados.*

…E seja o que deus quiser!

• 0,1 mg de álcool por litro de baforada corresponde a 2 dg da substância por litro de sangue. Para atingir essa concentração, basta uma tulipa de chope ou uma taça de vinho.

• A margem de erro do aparelho é de 0,007 mg/l (para quantidades menores de 0,4 mg/l), ou seja, cerca de 1%, segundo o Inmetro.
* Fonte International Center for Alcohol Policies.

Muita química nessa hora

O passo-a-passo do funcionamento do bafômetro

1. Com a ajuda de um catalisador, o álcool expirado reage com o oxigênio presente no aparelho.

2. A reação libera ácido acético, íons de hidrogênio e elétrons.

3. Os elétrons passam por um fio condutor, gerando corrente elétrica. Quanto mais álcool, maior a corrente: um chip faz as contas e dá a concentração de álcool no sangue.
4. Ao fim do processo, sobra só água na forma de vapor.

Dá pra enganar o bafômetro? Nós testamos!

Nosso repórter – que tem 1,95 m e 80 kg – tomou duas taças de vinho (cerca de 300 ml). No teste “limpo”, o bafômetro acusou 0,18 mg/l. Então ele tentou roubar. Veja os resultados:

Técnica 1: tomar azeite

Teoria: Disfarçar o hálito alcoólico.

Resultado: 0,18 mg/l.

Conclusão: Não funciona.

Técnica 2: mascar chicletes

Teoria: Disfarçar o hálito.

Resultado: 0,18 mg/l.

Conclusão: Pode enganar a namorada, mas não o bafômetro

Técnica 3: encher a boca de carvão ativado

Teoria: Como é muito poroso, o carvão absorveria as moléculas voláteis de álcool na boca, antes que ele chegasse ao aparelho.

Resultado: 0,16 mg/l.

Conclusão: Funciona pouco. Não o suficiente para evitar uma perda de carteira.

Técnica 4: hiperventilação

Teoria: Inspirar muito ar e depois expirar tudo, repetidas vezes, com força e velocidade, por 20 segundos, aumentaria a concentração de oxigênio nos pulmões, diminuindo a concentração de álcool na baforada.

Resultado: 0,12 mg/l.
Conclusão: Reduz em quase 25% a concentração momentânea do álcool nos pulmões. Mas não se engane: essa variação dura pouco e só salva quem bebeu um copinho de cerveja. Se for mais que isso, a multa e a apreensão vêm do mesmo jeito.

Curiosidades sobre o Gás Lacrimogênio!

Substâncias químicas como o gás CS (Clorobenzilideno malononitrila) e o CN (Cloroacetofenona) são consideradas Gases Lacrimogêneo, que são substâncias que provocam irritação na pele, nos olhos e nas vias respiratórias, e passado a exposição a essas substâncias, os efeitos desaparecem. É considerado uma arma não letal pelo fato de não deixar marcas , apresentar baixa toxicidade ou causar óbitos nas pessoas.

Porém existe um grande perigo. Se o gás for aplicado em um ambiente fechado pode trazer complicações. Ao ar livre, o gás é dispersado e as pessoas tendem a fugir, minimizando o perigo. Porém, pra quem possue problemas pulmonares ou cardíacos, a pessoa pode passar muito mal, devido ao fato de o organismo, em uma açao de defesa, diminuir a quantidade de ar que entra, e pra quem não está com o pulmão completamente bom, pode trazer consequências graves.

CUIDADO COM ELE!

QUÍMICA FORENSE

A Química forense é a aplicação dos conhecimentos da química e toxicologia no campo legal ou judicial. Diversas técnicas de análises químicas, bioquímicas e toxicológicas são utilizadas para ajudar a compreender a face sofisticada e complexa dos crimes, seja assassinatos, roubos e envenenamentos, seja adulterações de produtos e processos que estejam fora da lei. Trata-se de um ramo singular das ciências químicas uma vez que sua prática e investigação científica devem conectar duas áreas distintas, a científica (química e biologia) e a humanística (sociologia, psicologia, direito).

A HISTÓRIA
A investigação química de crimes é muito antiga, sendo relatado que Democritus foi provavelmente o primeiro químico a relatar suas descobertas a um médico Hipócrates. Na Roma antiga já existiam legislações que proibiam o uso de tóxicos em 82 A.C. A forma mais usual de cometer assassinatos ou suicídios era através do uso de substâncias tóxicas, como o arsênico ou através de venenos como os de escorpiões. Isso se deve ao fato de que qualquer substância pode ser perigosa, dependendo apenas da dose administrada.

O primeiro julgamento legal a utilizar evidências químicas como provas ocorreu apenas em 1752, o caso Blandy.

Fonte: Wikipedia

A origem(química) da vida

Como a vida começou na Terra? Não conhecemos com segurança a resposta a essa questão, e por isso os cientistas formularam várias hipóteses e continuam discutindo – como sempre acontece nas questões difíceis. Mas todas as teorias têm pontos em comum.

Quando o planeta, no início uma massa de gases, esfriou o suficiente, foram se formando as rochas em sua parte mais externa e uma atividade vulcânica intensa encheu o espaço ao redor com vapores e gases como a água, dióxido de carbono, metano e muitos outros. Alguns desses gases desapareceram, reagindo quimicamente entre si ou com as substâncias das primitivas rochas. Outros permaneceram, formando a atmosfera: metano, amônio, água, hidrogênio. Não havia oxigênio naquela atmosfera.

Com o prosseguimento da queda de temperatura, o vapor de água se condensou, apareceram poças, lagos e os oceanos. Essa água era riquíssima em substâncias químicas. Sob a ação do calor, descargas elétricas, raios ultra-violeta, acabaram ocorrendo reações químicas com a formação de moléculas de um grande número de substâncias. Entre essas, com toda a probabilidade, já se encontravam os componentes mais simples das proteínas e ácidos nucléicos atuais.

Reações químicas posteriores acabaram dando origem a moléculas que tinham a propriedade de se reproduzirem, isto é, dar origem a outras moléculas iguais a si. Era o início da vida. Alguns cientistas acreditam que esse processo foi favorecido pelo fenômeno da adsorção que teria ocorrido sobre a superfície de argilas. Isto, de certa maneira, daria sentido à afirmação da Bíblia de que “do barro fomos feitos…”.

As condições ambientais mudaram muito desde aquela época. Elas não são adequadas, atualmente, para iniciar o processo que conduziu aos organismos vivos da atualidade. São, porém, apropriadas para permitir, possibilitar a sobrevivência dos organismos existentes.

Mas, se a vida tem por base reações químicas, se consome e produz substâncias químicas, obviamente, é necessário manter-se as condições ambientais em estado apropriado para a sobrevivência.

A presença – ao mesmo tempo, no mesmo lugar e em condições adequadas – de moléculas de substâncias capazes de dar origem a outras por sua vez capazes de se reproduzirem, na opinião de alguns cientistas, é um evento de tão baixa probabilidade que é possível ser o nosso planeta o único onde floresceu a vida. Essa baixíssima probabilidade dá até ensejo aos que, preferindo a verdade religiosa à verdade científica, achem que foi necessária a intervenção de um Criador para o surgimento dos seres vivos. Outros, porém, acreditam que a vida é uma decorrência, em condições favoráveis inevitável, das propriedades da matéria.

Espontânea ou criada, a Vida deve ser preservada – no sentido mais amplo, isto é, incluíndo todos os seres vivos!

QUÍMICA FORENSE: A ATUAÇÃO DO QUÍMICO NO CONTEXTO DA PERÍCIA CRIMINAL

AUTORES: LIMA, A. P. (UFPA) ; GUIMARÃES, P.E.B. (UFPA) ; CORRÊA, B. S. (UNAMA) ; DINIZ, V. W. B. (UFPA)

RESUMO: A Química Forense continua expandindo, tornando-se cada vez mais necessária, diante da criminalidade que ao longo dos anos tem evidenciado uma face sofisticada e procedimentos complexos de atuação. Esse segmento da Química é um meio seguro e eficaz na elucidação dos crimes de diversas naturezas com o uso de técnicas de diferentes leituras destinadas a este fim. Neste cenário, o químico assume fundamental papel no que concerne aos avanços e estudos de casos criminais, mas para que isto tenha sempre credibilidade, faz-se mister um contínuo suporte quanto ao aprofundamento em seus estudos, investimento em equipamentos de análise laboratorial forense, treinamentos e cursos de capacitação, a fim de que sejam postos em prática, suas diretrizes e operacionalidades a serviço da justiça.

PALAVRAS CHAVES: química forense, técnicas de análise química, perícia criminal.

INTRODUÇÃO: A Química em todas as suas modalidades é instrumento de interesse à área Forense, sendo utilizada por esta área de forma isolada ou associada a outras ciências, já que uma única investigação em um laboratório forense pode envolver vários tipos de cientistas. Portanto, a Química Forense é uma subdivisão da grande área do conhecimento que é a Ciência Forense e se encarrega da análise, classificação e determinação de elementos ou substâncias encontradas nos locais de averiguação ou ocorrência de um delito ou que podem estar relacionadas a este. O químico que exerce sua função sob uma perspectiva forense além de buscar a quantificação do analito no laboratório, deve também saber em que condições a amostra foi coletada, como foi armazenada e em que condições chegou ao laboratório, daí a importância do próprio químico responsável pela análise ir ao local do crime para fazer a coleta dos materiais forenses. Assim, o objetivo deste trabalho é informar o importante papel do químico como contribuinte no que tange a investigação de crimes, ilustrando algumas técnicas instrumentais de análise química introduzidas na criminalística brasileira e que este profissional pode dispor para desenvolver suas análises, a fim de fornecer subsídios que poderão ser úteis no contexto da perícia criminal.

MATERIAL E MÉTODOS: Os materiais de pesquisa utilizados para a composição deste trabalho foram os conteúdos fornecidos em mini-cursos, consultas em livro e sites, além de material oriundo de questionários de perguntas feitas a um perito criminal do Instituto de Criminalística (IC) do Centro de Perícias Científicas (CPC) “Renato Chaves”, atuante na área química. O método de análise procurou investigar quais as atribuições do químico enquanto cientista forense, qual a sua importância no âmbito da perícia criminal, quais as ferramentas de trabalho que este “detetive cientista” deve dispor para a realização de suas análises, quais as principais técnicas inseridas recentemente para uso em laboratório na busca por resultados mais precisos em um curto espaço de tempo, em que situações cada técnica poderá ser executada de acordo com os materiais forenses a serem analisados e por fim quais suas contribuições referentes ao combate ao crime.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: As técnicas instrumentais de análise química selecionadas para este estudo, de acordo com o trabalho desenvolvido por peritos criminais com especialidade pericial em Engenharia Química no IC do CPC “Renato Chaves” e com as bibliografias consultadas, oferecem resultados precisos, atendendo às necessidades de análises relativas a um grande número de materiais coletados em ocorrências policiais. Por Cromatografia Gasosa podem ser analisadas as drogas dos grupos Anfetaminas, Metanfetaminas, Xantina, Anestésico e Alcalóide, determinação de cocaína em urina, álcool no sangue e álcool e ésteres em bebidas alcoólicas. Por Espectrometria de Massa determinam-se: arsênio em urina, sangue e estômago, adulteração em fármacos e bebidas, autenticidade de perfumes e obras de arte, resíduos de disparo de armas, rastreamento e identificação de drogas ilícitas (heroína, cocaína, maconha, ecstasy) e a origem de bactérias e esporos em crimes biológicos. Através da Fluorescência de Raios X, identificam-se: resíduos de disparos de arma de fogo, procedência de drogas, alterações de moedas e cédulas (análise de pigmentos), traços de evidência de cena de crime (fragmentos de terra, areia, vidro, fibras, tecidos). O uso das técnicas supracitadas, aplicadas à área de Criminalística, gerou melhoria na qualidade das elucidações de casos de naturezas policiais, produzindo evidências sólidas para que as autoridades possam formar suas livres convicções a respeito da materialidade das provas apresentadas, facilitando assim o julgamento e a elaboração da sentença judicial.

CONCLUSÕES: Cientistas partem de um princípio básico da Química Forense que é o fato irrefutável de que todo e qualquer tipo de contato deixa um rastro e de posse das pistas, torna-se possível o início das análises, que devem dispor de equipamentos com sensibilidade e exatidão apropriadas para cada caso a ser investigado. Diante disso, químicos, juntamente com outros profissionais da área forense, ao aliarem a aplicação de seus conhecimentos científicos com os devidos recursos técnicos, oferecerão laudos periciais de qualidade, com vistas ao andamento processual mais prático e sentenças mais justas.

AGRADECIMENTOS:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: ALEXIOU, A.D.P.; BRANCO, M.O.; BRANCO, R.C.P.O.; FARIA, D.L.A.; SALVADOR, V.L.R.; SARKIS, J.E.S.; SOUZA, L.W.C.;TOMA, H.E. Química Forense Sob Olhares Eletrônicos. Campinas/SP: Millennium Editora, 2005.

Material do mini-curso A Química na Perícia ocorrido no XLV Congresso Brasileiro de Química, ministrado pelo Perito Oficial Rosywaldo Cantuária – diretor do IC do CPC “Renato Chaves”. Belém/Pa, 2005.

A Multidisciplinaridade na Perícia Criminal. Disponível em: http://www.abcperitosoficiais.org.br/arti.htm. Acesso em: 18 junho 2007